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Espectro #999: Tinha que ser um Espectro a abrir este espaço ... estava escrito.

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16-10-2007

10:23

O fisco dá, o fisco tira...

  • Mood:

Por estar tão bom e tão a propósito da época, não resisti a transcrever o artigo seguinte na íntegra.

"

Os investimentos realizados em planos poupança-reforma (PPR) geridos pelo Estado vão ter direito a benefício fiscal e este poderá ser acumulado com o que resulte de uma aplicação feita junto de uma entidade financeira privada. A medida, anunciada pelo ministro da Segurança Social em entrevista que é hoje publicada no Jornal de Negócios, merece ser bem recebida.

As incertezas sobre a sustentabilidade do actual sistema de financiamento das pensões de reforma aconselham o Governo a dar sinais de que não é má ideia os cidadãos em vida activa preocuparem-se com o assunto, constituindo poupanças destinadas a assegurar, no futuro, um complemento daquilo que os cofres públicos suportarão. E quanto mais cedo, melhor.

Mas há ainda muito por definir, por parte do Executivo. Desde logo, qual o desenho dos novos produtos e que nível de risco e rendibilidade se proporão alcançar. A questão é da máxima relevância, sobretudo quando se sabe que há, no mercado, PPR que apresentam remunerações do capital investido pouco menos do que ridículas. O caso torna-se grave quando estão em causa aplicações a longo prazo, em que uma diferença de rendibilidade média anual de alguns pontos percentuais pode significar dezenas de milhares de euros a mais ou a menos no bolo final a desfrutar pelos pensionistas.

Um dos problemas destes produtos financeiros que têm associada a possibilidade, atractiva, de deduzir parte das entregas na factura do imposto sobre o rendimento é que o benefício fiscal se transforma, rapidamente, no principal argumento para investir. Frequentemente, o espírito que anima o incentivo é pervertido. O ganho imediato, na forma de reembolso de IRS, sobrepõe-se ao objectivo de longo prazo. Resultado: há quem invista em maus produtos, apenas porque o Estado promete baixar a carga fiscal.

Outra questão está no equívoco que estas medidas ajudam a enraizar na mente dos investidores. O comum dos cidadãos certamente estará convencido de que um PPR é a via mais adequada para aplicar dinheiro a pensar na reforma. Por causa da própria designação e porque o Estado se dispõe a abdicar de receitas em favor de quem os subscreva. Mas isso está longe de ser verdade e não deixa de ser uma pena que sucessivos governos tenham revelado uma visão demasiado conservadora sobre o assunto. Por muitas e boas razões, o Governo deve estimular a poupança de longo prazo, mas já não se entende que o faça apenas para quem tenha planos poupança-reforma.

A tendência é tão persistente que já quase nem merece ser destacada. No próximo ano, a carga fiscal sobre empresas e famílias vai aumentar. O Estado absorverá uma parcela mais elevada dos recursos dos contribuintes, embora o Governo preveja um crescimento moderado das receitas fiscais, abaixo do que projecta para o crescimento nominal da actividade económica. Tudo isto implica uma boa e uma má notícia.

A avaliar pelos números inscritos na proposta de Orçamento, serão necessários 133 dias e mais algumas horas a trabalhar inteiramente para o Estado para conseguir satisfazer o nível de receitas de impostos e contribuições para a Segurança Social que o Governo estima arrecadar. O “primeiro dia livre de impostos” celebrar-se-á a 14 de Maio, um dia antes em relação a 2007. Parece simpático, mas não há moeda que não tenha duas faces.

O aspecto menos agradável está no facto de aquela antecipação se dever à circunstância de o próximo ano ser bissexto. Se não o fosse, o “tax freedom day” seria assinalado, novamente, a 15 de Maio. Conclusão: se em política aquilo que parece é, em matéria de carga fiscal, aquilo que parece não é. Resta pagar e calar, não vá o contribuinte receber uma visita preventiva de alguma autoridade de segurança disposta a reprimir impropérios dirigidos ao Governo."

Fonte: http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?CpContentId=304056

1 Tudo.

Posted by Yes, Master:

Um ano passou. Depois de uma pausa, mais ou menos esclarecedora, decidi regressar.
Não haverá, passado este tempo, menos pessoas sem alimento. Nem haverá menos pessoas sem condições mínimas de existência. O que parece existir, agora, é uma condição de acção necessária e urgente. Um imperativo moral, humano. Uma escolha que faço, como todos os colegas da blogosfera, e que serve, cada vez mais, para lembrar algo de essencial a todos nós, seres humanos: a nossa liberdade de expressão. E, hoje, passado tempo, para muitos tempo maior que para nós, é humano libertar a expressão e criticar. E quando digo criticar, digo lembrar alguém que tosse enquanto adormece, porque nada teve para comer. Como digo manifestar opinião sobre o caminho que se caminha, sobre a sua direcção, ou sobre os caminhos mais pequenos que ele atravessa.
Um ano passou, e muitos mais que nós sentiram cem anos passar. Sem esperança. Conformadas. Isoladas. Sem voz. Outros mais sentiram um ano passar depressa demais. Satisfeitas. Extasiadas. Desejosas de anos semelhantes.
Pois, eu pergunto: E nós, como eu? Como passamos?
Por mim, passei no meio. Senti dias de satisfação, de esperança garantida Mas outros dias senti um nó no estômago. E grande. Senti que algo está cada vez pior. Percebi que o Mundo se encontra negro, por debaixo do nosso peito. E que a nossa realidade, a da satisfação, é, porventura, a mais pequena de todas as realidades hoje constatadas.

Portanto, decidi regressar. Porque não tinha mais estômago para aguentar tanto nó. Porque percebi que existe um imperativo moral novo, que nós, os livre-pensadores, devemos seguir e manifestar, alargar e fomentar, e que, apesar de os dias que correm se passarem num imenso corredor escuro, onde por mais que se grite, ninguém nos ouve, não devemos nunca deixar de o fazer. A fazê-lo, esquece-se o que nos faz ser: a humanidade.

Neste caminho novo, seguirei acompanhado. Como nova forma de me manifestar, junte
27-10-2007 @ 22:50

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