
Na zona onde moro há um café onde trabalham várias pessoas jovens portuguesas. Para quem vive em Lisboa isto é uma excentricidade na medida em que de há uns tempos para cá até já nos habituamos que “oi?” não significa olá mas sim “O que é que tu estás para aí a dizer?”.
Nesse quadro de quase surrealismo, enquanto bebia uma bica ao balcão, assisto a um delicioso diálogo entre uma cliente e as duas funcionárias. Miúdas novas, na casa dos 20 anos. A cliente inquiria se não tinham encontrado um livro. A resposta foi afirmativa. Tinham-no à mais de um mês. A cliente tinha estado de férias mas sabia que o podia ter deixado numa mesa. A empregada devolve-o dizendo que, caso ninguém o reclamasse, já tencionava leva-lo para casa para o ler. A colega já estava em fila de espera para o mesmo. Nisto desatam as três a discutir livros que já tinham lido e autores de que gostavam. Diálogo delicioso, genuíno, insuspeito naquele local. No final ficou combinado o empréstimo do dito.